A 5ª Edição Basic Rules chegou! E...

Deixe um comentário
Me pareceu massa!

É, a 5ª edição (que na verdade é a 12ª versão,mas não vem ao caso) do RPG mais jogado no mundo chegou e causou uma série de reações por aí. Como era de se esperar ,o povo se dividiu entre ódio absoluta à paixão irracional, e todos os sentimentos entre essas duas pontas.

Eu vinha observando com cautela as notícias e atualizações do D&D Next ( nome provisório da 5ª ed.) e do D&D Basic, um livro gratuito em PDF com cerca de 100 paginas com toda a base do sistema que te permitiria jogar com o mais simples conjunto de regras da nova edição, nos moldes da Rules Cyclopedia. Levando em consideração as promessas de que esta nova edição permitiria qualquer estilo de jogo, desde um próximo ao das edições antigas, até o das mais recentes, como a quarta edição, tudo indicava que o único D&D que nós, fãs, iriamos precisar seria esse Basic D&D novo.

Quanto o PDF dele foi liberado, eu, que estava sem internet no período fui correndo pra casa do colega que tinha baixado pra dar uma olhada no possível novo sistema que eu poderia utilizar. E talvez possa ser o melhor D&D, na minha opinião, lançado pelo pessoal da Wizards of the Coast, até agora.

As Regras
O sistema mistura uma versão simplificado do d20 system (não ao extremo), com o sistema da quarta edição (mas disfarçado em algumas partes). Ele lê e se joga de forma bastante natural e simples. Não há uma montanha de modificadores. Uma das coisas legais que o jogo fez foi limitar os bônus de proficiência (modificadores que são aplicados em tudo que o personagem é competente, desde ataques até perícias e jogadas de proteção) em até +6 apenas. Ou seja, no 20 nível, o Guerreiro terá apenas +6 para atacar com suas armas (fora os outros bônus de Atributos, Itens Mágicos e, quem sabe, Feats e outras habilidades).Pra mim, uma ótima forma de frear o "combeiro" da galera (pelo menos até ele descobrir alguma(s) falha(s) nas regras.   

Ou seja, qualquer coisa que um personagem seja proficiente terá esse bônus aplicado e ele é o mesmo para todos os personagens, variando somente com o nível. Isso simplifica bastante as coisas, só que é algo como esse meu amigo falou, que geram coisas bem estranhas. Exemplo: se tanto o ranger como o guerreiro são proficientes em espadas, por exemplo, eles terão o mesmo bônus. Tudo bem, o guerreiro com suas habilidadezinhas que ele ganha, vai ficar melhor que o ranger, mas ainda assim, eles terão o mesmo bônus de proficiência.

Porém, se os modificadores de proficiência ficam em números baixos, permitindo uma longevidade maior dos monstros e equipamentos, os Atributos continuam altos, como nas duas edições anteriores. Há quem prefira assim, já que permite um clima bem mais "heroico", com personagens poderosos capazes de feitos incríveis como nos filmes,livros etc. As classes, em geral, podem aumentar seus atributos até sete vezes ao longo do jogo, dando a todo personagem ter a chance de ter 20 no seu atributo principal, sem itens mágicos nem nada, gozando de um modificador de +6. Claro, isso dividiu muita gente. Há quem gostou assim, como outras acharam um pouco exagerado e acaba contra compensando o lance dos modificadores baixos de proficiência, sem falar que parece -Parece não, É!- que os personagens vão ficando super poderosos. Mas isso é mais uma questão de estilo e estética,então não vou me aprofundar nisso. Mas a "treta" mesmo ficou na parte da magia.

As Magias
O sistema de magia é outro ponto de debate, bem maior do que os atributos. Uma das queixas dos jogadores mundo afora era o número de magias que um mago poderia lançar por dia (que eram poucas no início) e isso o tornava inútil e desequilibrado (e embora eu não seja fã dos magos, não acho que isso seja verdade: um mago tem várias outras utilidades, e mestres e jogadores criativos podem tirar várias vantagens dele). Essa nova edição tenta compensar isso com magias "at-will" e mais magias diárias. O mago, por exemplo, tem acesso a uma magia at-will que causa 1d10 de dano de fogo com alcance de 120 pés (o equivalente a uns 30 m,acho). 

E com isso os haters dizem: "Ah, que maravilha. Agora, o mago não precisa ficar guardando sua única magia diária para um situação importante e pode sair por aí feito um piromaníaco maluco sem preocupar.E essa magia ainda pode chegar a dar 4d10 de dano ao longo da evolução da classe? Mimimimi."Pra mim não é novidade que uma das preocupação dos designers dessa edição (e da odiada predecessora) de que toda classe deve ser útil em toda situação. Todos os personagens são bons em combate, de alguma maneira, o que não é nenhum demérito, na minha opinião. Quer coisa mais brochante do que ter de se engajar no combate de faquinha porque aquela era sua ultima bola de fogo?   

Outra mudança drástica no sistema de magia é que ele não é mais o Vanciano*.Pelo menos não o Vanciano clássico. Você agora não perde exatamente a magia que decorou, mas perde um "Slot" daquele círculo. Você ainda decora magias, mas tem direito a usar "X" magias decoradas por dia daquele círculo entre todas as que você decorou.Ou seja, foi um meio termo que eles conseguiram fazer para tentar agradar a grego e troianos
(leia-se "grego' como os que queriam a volta do sistema vanciano e "troianos" aqueles que queriam sua aniquilação). Com uma porção de magias at-will e um sistema vanciano modificado, parece que eles conseguiram agradar muita gente. Particularmente, gostei dessa solução, mas só jogando pra saber se funciona.Até gosto do sistema original que ele implica no jogo: estratégia e o uso medido de magia. Um mago tinha que escolher bem o que decorar e quando lançar suas magias,mas havia o problema de esgotar os slots. Logo quem prefere um jogo mais similar a quadrinhos e games de fantasia, essa edição será uma excelente escolha, já que os personagens tem muito mais poder e habilidades desde o início do jogo.Agora se você quer algo mais brutal e emocionante como eram as antigas edições como os AD&D e etc, lamento por você. 

O resto
Quanto a pontos de vida, cura e morte, o Basic D&D fez como no resto do livro: optou por uma mistura entre a 3ª e a 4ª edições. Cada classe tem seu dado de vida e começa com pontos de vida máximos. Até aí, normal. A cada nível, do 1º ao 20º, o personagem ganha pontos de vida de acordo com o seu dado de vida, mais seu bônus de constituição. Assim, um Guerreiro que, com os bônus de atributos que os personagens recebem ao longo do jogo, pode chegar até 300 Pontos de Vida (+5 de Constituição e 10 no d10 do dado de vida todo nível). Claro, esse é o valor absolutamente máximo e dificilmente qualquer guerreiro chegaria a essa quantidade, mas isso sem ajuda de nenhum item mágico ou magia.Sim, fãs das velhas edições, o clima do jogo ainda é com personagens que encaram qualquer um e não frágeis como nas edições da TSR (ou seja, AD&D e D&D da Grow pros caras da velha guarda).Combine isso com as curas por descansos, que você tem direito a se curar praticamente todos os seus pontos de vida em descansos rápidos se gastar todos os seus "Dados de Vida" (um guerreiro de 5º nível pode parar e gastar todos os seus dados de vida do dia para curar, rapidamente, 5d10 PVs), e com o Extended Rest (aquela dormidinha de noite) que recupera TODOS os PVs, os personagens se tornam poderosos e duros de matar, como heróis de animê/mangá, que "desmaiam" só para levantar minutos depois "de boaça". E foi aí que eu me decepcionei, pois não gostava disso na 4ª ed. e torcia pra que tirassem (ou deixassem menos exagerado).Resultado: tomei na cara! 

Impressão final
A impressão que fiquei é que esse novo D&D veio atender o pedido daqueles jogadores que querem um sistema para personagens bem heróicos e fortes como o das últimas edições e com seu concorrente direto, o Pathfinder. E o fez com uma competente mistura dos sistema d20 e o da 4ª edição criando um sistema mais lógico, simples e rápido, com capacidade de modularidade. Ele tem tudo para fazer sucesso com uma grande parte de jogadores, já que tenta corrigir o que mais reclamavam dessas duas edições.Agora, aqueles que curtem as edições antigas e o estilo de jogo que elas proporcionavam, Os Old Schoolers, podem não se sentir tão a vontade nesse novo sistema. E se você odiava as regras exageradas da 4ª ed. que lhe renderam o apelido de "Video-Game de Papel", más noticias: elas ainda existem, mas agora bem menos presentes e"nerfadas".

Enfim, achei ele ótimo,mas não excelente.Quem quiser conferir,pode ir no site oficial do D&D. E se quiser testar-lo,aguarde o proximo post!