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Dia Internacional da Mulher: Guerreiras (reais) da história para inspirar suas personagens

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Quero desejar a vocês, leitoras desse humilde blog, parabéns pelo seu dia, apesar de achar que a data foi muito mal escolhida.Tipo,sério que a melhor forma de homenagear a mulher foi porque trabalhadoras resolveram fazer greve e o dono da fabrica preferiu queimar a fabrica com elas dentro do que atender as exigências? 

Para mim, acho que já mártires demais na História, e há exemplos mais inspiradores protagonizados por mulheres do que este. Vejam aqui exemplos de mulheres fortes que podem servir inspiração tanto como personagens jogadores (PC/PJ) como para personagens do mestre (PdM/NPC). Talvez, se você quiser narrar um RPG histórico- ou talvez de viagem no tempo, pra quem curte GURPS- você pode colocar os personagens para interagir com elas, ou serem liderados por ela. Isso com certeza seria interessante!

Bem vamos a lista com algumas delas (claro, não dá pra incluir todas elas, mas garanto que a lista terá um tamanho bem razoável).

Boudicca (século I)

Quando o rei de Norfolk, no norte da Inglaterra, morreu em batalha, ele declarou que seu reino deveria ser governado conjuntamente por sua esposa Boudicca, suas filhas e por Roma, mas os romanos não respeitaram a decisão e tomaram controle total, açoitando a rainha e estuprando suas duas filhas.
Qual você acha que foi a reação da moça:
a) Sentou e chorou?
b) Pediu ajuda aos universitários?
c) Descobriu que levar chicotada era bom e virou Sado-Masoquista?
d) Revoltada, escapou do cativeiro e liderou uma rebelião contra as forças de ocupação do Império Romano?
Obvio, a resposta é letra C D. Após negociar com os outros reis vizinhos, Boudicca levou milhares de Icenos e outros povos britânicos aliados a um levante sangrento contra Roma.Seus ataques eram liderados por ela, que vinha em uma biga e atirava com um arco e usava uma lança bem maior do que ela (que era descrita como uma mulher alta, forte, com cabelos longos e ruivos e expressão feroz). Usando ataques relâmpagos e do uso destrutivo dos incêndios, ela destruiu completamente Loundinium (Londres) e Camulodonum (Colchester). Relatos romanos sobre seu exercito não eram menos impressionantes. Os homens liderados por ela não faziam prisioneiros, simplesmente matando sob tortura qualquer romano ou aliado deles. E se era mulher, tinha um destino não menos pior: eram decapitadas e tinham os seios cortados e costurados na boca!        
Depois de muito levar porrada, os romanos finalmente conseguiram debelar a revolta,mas Boudicca preferiu o suicídio a ser capturada. Suas filhas escaparam de um destino pior, pois ela casou ambas com os reis aliados, que negociaram sua rendição e por isso não podiam ser alvo de represálias.
Curiosidade: Ironicamente, existe uma estatua de Boudicca em Londres,a cidade ao qual ela "passou o carro". Sacaram a piada? Hã? Não? Então olha a estatua:
Pintura de Budica montando uma biga
Estatua de Boudicca em Londres

As irmãs Trung (século I)Se os americanos soubessem antes o quanto os vietnamitas são um povo casca-grossa e raçudo, talvez não tivessem se metido no rolo que foi a Guerra do Vietnã. E essa tradição de povo que resiste a invasores é bem antiga, mas vou focar em um episódio no qual duas mulheres foram muito importantes.


Trung Trac e Trung Nhi nasceram durante o período de 1 mil anos em que o Vietnã permaneceu sob ocupação do Império da China, testemunhando desde a infância os abusos e o controle ferrenho sofrido por seus compatriotas. Após sofrerem uma tragédia particularmente pessoal, elas se armaram e conseguiram derrotar uma unidade chinesa local.


O feito inspirou os vietnamitas a seguir sua liderança e, então, as irmãs Trung conseguiram formar um exército com cerca de 80 mil combatentes, delegando as posições mais elevadas de comando a mulheres de sua confiança. As forças da população não somente conseguiram expulsar os chineses no ano 40, mas também elegeram a irmãs como suas rainhas e conseguiram resistir ao retorno dos soldados da China por dois anos.

Eventualmente, os chineses formaram um grande exército para derrotá-las e, segundo a lenda, os soldados inimigos foram nus ao campo de batalha para envergonhas as mulheres. Diante de sua derrota iminente, as rainhas Trung se suicidaram por afogamento no rio Hát para preservar sua honra. Hoje, as irmãs são consideradas heroínas nacionais do Vietnã.




Tomoe Gozen (séculos XII e XIII)

Considerada a samurai feminina mais famosa de todos os tempos, Tomoe contrariou as convenções e insistiu em combater junto a seus companheiros homens da guerra de Genpei, onde seus feitos deram a ela uma posição essencial na defesa do Xogunato. Sua habilidade com espadas e arcos era considerada lendária e alguns contos chegam a afirmar que ela era capaz até mesmo de montar cavalos indomados enquanto descia de desfiladeiros.
Tomoe Gouzen, no centro, combatendo rebeldes do Xogunato

Artemísia I de Cária

Quem assistiu aqui o filme 300: A acensão do Império sabe que a figura mais interessante do filme foi Artemísia, belissimamente interpretado pela igualmente bela Eva Green, que levou o filme praticamente sozinha naquele bando de ator sem graça. E a personagem dela não só existiu como acabou passando por uma situação bem parecida; tendo que ser peça principal em meio de um bando de homens que não sabiam o que fazer com uma situação bem pior do que um filme fraco: uma guerra. 

Artemísia I de Cária se tornou governante da Jônia, provincia grega na Ásia anexada pelos persas. Apesar da descendência e herança grega era totalmente fiel aos persas. Ela é lembrada por sua participação na Batalha da Salamina, na guerra entre Império Persa e a Liga do Peloponeso (aliança de cidades gregas comandadas por Esparta e Atenas. Ela mesmo aconselhou o rei Xerxes a não confrontar os gregos pelo mar, visto que os gregos tinham muito mais tradição marinha. Porém, o rei ignorou o seu conselho e ela participou da batalha comandando cinco navios, em 480 a.C. Resultado: como ela previu, os gregos acabaram surrando a marinha persa. Artemísia tentou convencer Xerxes a recuar para a Ásia Menor, contrariando os conselhos de outros generais.Ela sabia que teriam tempo para se reagrupar e liderar um invasão por terra- mar. Não deram ouvidos a ela. E no fim, os persas sofreram uma grande derrota.
Este é o clássico momento em que a mulher costuma usar a mais irritante das frases: "eu te avisei!"
 

Não achei nenhuma imagem boa de Artemisia, então vai de Eva Green mesmo.  


Curiosidade: Reza a lenda que os gregos estiveram próximos de capturar o seu trirreme, quando ela pensou em um plano ardiloso para fugir.Rapidamente, ela afundou um navio persa, fazendo os gregos pensarem que ela havia traido os persas e estava lutando ao lado deles. Assim, deixaram-na em paz. Xerxes, assistindo de uma colina próxima, achou que ela tivesse afundado um navio inimigo, e elogiou sua bravura. O rei ficou tão orgulhoso, que disse: “Meus homens se transformaram em mulheres, e minhas mulheres em homens”. 



Joana d’Arc: nasceu em 1412, no vilarejo de Domrémy, França. Ao completar 13 anos, a jovem passou a ouvir vozes de Deus e de anjos, que diziam que a menina deveria salvar a França dos ingleses. Isto ocorreu no ápice da Guerra dos Cem Anos, conflito que se iniciou em 1337 e teve fim em 1453. Tendo Joana completado 16 anos, o rei Carlos VII – ainda não coroado – a equipou e abençoou no cerco de Orleans.
Apesar de estarem em menor número, os franceses contavam com a força, coragem e garra de Joana. A batalha durou nove dias e os ingleses recuaram. Depois de várias vitórias, Joana coroou Carlos VII, em 1429. Ela foi a única pessoa registrada a comandar o exército de uma nação com apenas dezessete anos, o que o fez durante toda a guerra, mesmo depois de ter sido ferida na cabeça e no pescoço. Ela foi julgada por heresia em um falso tribunal e queimada na fogueira. Seu julgamento foi declarado inválido pelo Papa, e ela foi canonizada como santa muitos anos mais tarde, sendo a santa padroeira da França.

Isabel I de Castela (séculos XV e XVI)
Coroada rainha de Castela, na Espanha, após uma árdua guerra de sucessão, Isabel criou a Santa Irmandade com o intuito de diminuir a grande quantidade de bandidos que tomaram as estradas do país após o conflito entre os aspirantes a regentes. Depois, ela passou a acompanhar de perto as campanhas militares de seu marido, Fernando de Castela, e participou diretamente da expulsão dos mouros de seu território.
Anos depois, a rainha apoiou as ideias de Cristóvão Colombo, mesmo contra os conselhos dos membros da corte e cientistas da época, ajudando a financiar a viagem que resultaria no que ficou conhecido como o descobrimento da América. Por fim, Isabel foi uma das signatárias do famoso Tratado de Tordesilhas, que dividia o “Novo Mundo” entre espanhóis e portugueses.

Fu Hao foi uma consorte (algo como uma esposa secundária, muito comum para os nobres asiáticos) do rei Wu Ding, da dinastian Shang, por volta de 1200 a.C. Ela também foi alta sacerdotisa e general militar, algo incomum no seu tempo. Sua tumba foi descoberta intacta em Yinxu, com os tesouros conservados. Os estudiosos modernos encontraram registros sobre ela em inscrições em artefatos em osso onde mostram que ela liderou várias campanhas militares vitoriosas. Os povos vizinhos Tu lutaram contra os Shang durante muitas gerações, mas Fu Hao os venceu em uma única batalha. Ela ainda liderou outras campanhas contra os vizinhos Yi, Qiang e Ba, sendo que a batalha contra estes últimos representou a maior emboscada registrada na História da China, onde ela conseguiu esconder um exército de 13 mil soldados em enormes fazendas de arroz, sendo a maior líder militar do seu tempo.

Séptima Zenóbia (século III)

Responsável pelo governo da Síria do ano 250 até 275, após a morte do marido percebeu a fraqueza do poder romano no Oriente Médio e já cansada dos impostos altos cobrados e do tratamento descortês dos romanos com sua província, Zenóbia liderou seus exércitos montada em um cavalo e usando uma armadura completa para derrotar as legiões romanas do Imperador Claudio. A vitória dela foi tão decisiva que seus inimigos tiveram que bater retirada de boa parte da Ásia Menor, ao passo que a Arábia, Armênia e Pérsia se tornaram seus aliados quando ela se declarou rainha do Egito por direito de ancestralidade.

Mais uma vez, após muitas derrotas (eita povo para sofrer nas mãos de mulher),o sucessor de Claudio, Aureliano, enviou suas legiões mais experientes para derrubar Zenobia, mas mesmo assim precisou de quatro anos de batalhas e cercos que a cidade capital de Palmyra fosse tomada e sua governante aprisionada. 


Zenóbia e outras nove lideres aliadas (pelo visto, as rainhas antigamente também gostavam de se cercar de outras mulheres com capacidade de liderança) foram acorrentadas e tiveram de fazer o percurso a pé de Palmira até Roma para serem exibidas e humilhadas nas ruas de Roma, antes de ser exilada em Tibur (hoje Tivoli) – suas filhas, no entanto, se casaram com membros de famílias influentes no império romano, e assim sua prole continuou influenciando a politica romana por gerações.

Tamar(a) da Geórgia

Tamara (em outros textos escrito como Tamar) foi a filha do rei George III, da Geórgia. Seu pai a declarou co-governante e herdeira, aparentemente para prevenir disputas após sua morte. Após a morte de George III, Tamara ganhou a reputação de líder excepcional, ao assumir a coroa, suprimindo a oposição da aristocracia contra uma mulher no poder.
Com o passar do tempo, ela derrotou quase todos os Estados islâmicos vizinhos, entre 1201 e 1203, os georgianos conquistaram e anexaram as capitais armenas de Ani e Dvin. Em 1204, o exército de Tamara ocupou a cidade de Kars. Neste mesmo ano, Tamara ajudou a fundar o Império de Trebizonda, na margem sul do Mar Negro. Tamar participava ativamente como comandante militar do seu exército e levou seu reino ao ápice de seu poder político, econômico e cultural. Sua vitória final contra a aristocracia foi proteger seus súditos comuns contra os abusos da nobreza.Faleceu em 1213, por causas naturais.
Curiosidade: quando ela chegou ao poder ela se declarou REI da Geórgia, abandonando o título de rainha por passar uma imagem de menor poder. Como sua reputação cresceu ela ganhou a alcunha do seu povo como “Rei dos Reis e Rainha das Rainhas”. Muitos diplomatas estrangeiros passaram por problemas devido a essa "excentricidade"- afinal, rico é excêntrico, pobre é que é maluco!   

Judite I da Etiópia


Judite foi uma rainha não-cristã que governou o reino etíope de D’mt por volta de 960. Ela dominou o antigo reino de Axum, então capital sagrada da Etiópia, sendo responsável pela destruição de monumentos, igrejas e tentou eliminar todos os membros da dinastia que reinava,o que segundo as tradições etíopes, são descendentes da rainha de Sabá com o Rei Davi!
Pintura de Judite cortando cabeças
"Pro seu bem, meu caro, é bom que me traga boas novas. Não estou num bom dia..."
Suas ações foram registradas pela tradição oral e em vários outros registros históricos. Acredita-se que ela matou o imperador e assumiu o trono por 40 anos. Relatos de sua violência e crueldade ainda são contadas pelos camponeses nas comunidades do Norte da Etiópia. Segundo as tradições, ela saqueou e destruiu Debre Damo, local sagrado dos antigos reis da Etiópia. Após sua morte, a antiga dinastia deu um golpe sangrento e retomou seu lugar ao trono. Dizem que aguardaram que ela morresse para ter certeza que a mesma não liderasse seu povo de novo contra eles. Não deu certo da primeira vez que eles tentaram tomar o poder...
E aqui termina essa lista. O que acharam dela? Gostaram?Não? Faltou alguém? Se você acha que sim, comentem abaixo!