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A 1ª partida de RPG de um calouro-Parte 1

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*AVISO: Esse post é longo pra caramba!

A oportunidade surgiu sem querer, de uma conversa que não tinha nada a ver com o assunto. Tá bom, não exatamente era nada a ver. Eu estava falando de The Big Bang Theory, e como eles acabavam retratavam superficialmente algumas coisas do universo nerd em detrimento das (tentativas) de entrosamento social dos nerds com os normais, e aí mencionei o RPG. De fato o grupinho de calouros que fiquei amigo (duas garotas e um cara) concordaram que não entendiam o que se passavam nas cenas em que eles estavam jogando, exceto que ali era um jogo em que eles rolavam dados para definir as ações (e que Sheldon buscava sacanear-los sempre que podia!)

Nessa hora o lado "mestre/professor" despertou e eu comecei a explicar, da maneira mais simples possivel,o que era o RPG e como funcionava. Por sorte, tinha um ficha de minha irmã largada na minha mochila devido a uma partida de Old Dragon que havíamos jogado dias antes com uns amigos.
Dali fui explicando o que eram os atributos, itens, armas, etc, enquanto eles, pra minha alegria, se mostravam interessados no jogo. O garoto foi o que mais se empolgou com a ideia de jogar, quando eu sugeri narrar uma partida pra eles verem como funcionava.

É muito mais fácil explicar o rpg pra gente mais jovem do que pessoas mais velhas, afinal eles já tiveram contatos com MMORPG, existem jogos com elementos de rpg (com níveis, experiencia, criação de personagem etc) Sei que isso parece redundante, mas digo isso porque tem pessoas que insistem em tentar chamar para formar um grupo de pessoas mais velhas, que geralmente não tinham contato com isso, e isso torna tudo mais difícil. Já esses calouros da faculdade, não. Eles riram das minhas histórias e dos meus amigos tantos dos momentos épicos quanto das falhas criticas. E como eu disse eles quiseram ver como funcionava.

Mas a vida é uma caixinha de surpresas!

Veio feriado, fim de semana, encontros frustrados por um toró desgraçado que caiu aqui em Salvador, enfim, tudo dando errado. Mas a vontade de jogar persistia até que finalmente ela se concretizou no dia 22 de abril, infelizmente só com Israel, o calouro. As calouras não vieram e não se justificaram. Mas fazer o que? Segue em frente.

Pedi para ele escolher o tema durante o feriado e para minha surpresa, ele quis de Máfia!

Al Pacino novinho em O Poderoso Chefão não-lembro-qual
 Bom, ele nunca mencionou antes que gostava de filme de máfia, mas antes de me desesperar para bolar uma aventura,lembrei que eu tinha uma aventura pronta de Máfia. Era a Conexão Moscou, para o sistema Savage Worlds, publicado aqui pela Retro Punk Games. Como não tive tempo de ler as regras do Fast Play, simplesmente a imprimi e peguei meu sistema genericão que sempre usei para jogar com meus amigos quando a gente não sabia NADA sobre sistemas como D&D, 3DeT, etc.

Depois de nos isolar em uma sala da biblioteca, repassei o que já tinha explicado antes sobre como funcionava os atributos, os testes com dados etc e etc, enquanto ia fazendo a ficha dele. Quando Israel parecia que ter entendido "mais ou menos"  o negocio, começamos a jogar.

E foi divertido pacaraí! 

Eis o enredo da aventura: ele é Alexy "Tubarão" Petrovich, (Israel escolheu um personagem pronto da aventura antes de começa-la), um chefe de gangue de nível mediano, cuja missão era fazer um contêiner passar pela alfandega e depois seu conteúdo seria devidamente negociado com os compradores. Só que ele deixou isso nas mãos de seu sobrinho, Gennedy como uma forma dele começar a pegar umas tarefas mais importantes e assim ganhar confiança perante os outros membros da Máfia.

O problema todo é: o navio chegou a mais de uma hora, e ninguém falou nada para Alexy ou Boris, o chefão da Mafia Russa. Pior, Gennedy não atende o telefone. E agora ele, Alexy/Israel, precisa descobrir o que aconteceu e pegar a carga e Gennedy, custe o que custar.

Pegaram o caminho para as docas onde o contêiner iria chegar, e lá eles descobriram que a negociação tinha acabado da pior maneira: meia duzia de russos cheios de balas nos corpos. Porém, com algumas rolagens bem sucedidas de Inteligencia de Israel, ele percebeu que:

a) Seu sobrinho não estava entre os mortos
b)Havia um rastro de sangue que seguia ao sul, mas parava de repente
c)No lugar onde terminava o sangue, também tinha um rastro de óleo de carro que ia parar em um galpão
d)As capsulas de balas mostravam que os inimigos tinham armas de média potencia (era a primeira partida dele, não ia colocar armamento pesado, ele não aguentaria um tiro sequer!)

Chegando perto do galpão, um dos NPCs menciona que haviam vozes falando em árabe por perto.Foi quando o personagem de Israel viu que era uma dupla de vigias.Para ele começar a aprender tomar decisões no RPG, apresentei para ele duas opções: ou emboscar os vigias e interrogar, ou aproveitar que tinha 2 NPCs de silenciador e mata-los. Sabiamente, escolheu emboscar a dupla, chegando por trás e aplicando uma "gravata" em um dos desavisados. Já o outro, pra explorar um pouco dos NPCs e mostrar a violência no jogo, descrevi Ivan "Soldado" Petrovich,irmão de Alexy (personagem de Israel) um ex-militar que foi pro Iraque e ganhou um ódio mortal de árabes, surgir por trás e rasgar a garganta do outro vigia.

O interrogatório ficou bem aquém do que esperava. Primeiro, por que Israel deixou o personagem com Carisma baixo, e o Carisma, como vocês sabem, serve tanto para intimidar quanto para convencer alguém a cooperar,ambos essenciais no interrogatório. Segundo é que não bastava isso mas tanto ele como meus NPCs estávamos tirando resultados horríveis nos dados! Resultado: O cara cuspiu na cara Alexy, conseguiu soltar um braço e deu um murro no saco de um dos NPCs (o "Soldado"), xingou as mães dos dois, e a coisa ia piorando a cada rolagem ruim.

Foi quando eu botei "o Touro" pra interrogar e aí tudo mudou (pra melhor!).



Piotr "O Touro" era outro dos personagens possíveis de se jogar na aventura, mas virou NPC devido a escolha de Israel. Ele é alto e musculoso, e tem como arma preferida um taco de baseball Loisville. Quando chegou a vez dele, já cheguei quebrando um dos joelhos do sujeito (acerto critico, yes!). Depois disso, e algumas ameaças (e porradas) bem colocadas (fiz uma voz grossa e baixa, bem ameaçadora), o árabe começou a largar toda as informações:
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Me digam se com um sujeito desse tamanho aí, e ainda por cima usando esse taco aí de baixo, você também não contava tudo que sabia ?































1) Ele e os outros pertenciam ao grupo conhecido como Mão Vermelha, um grupo terrorista de suporte (tipo uma "peneira" para iniciantes) da Al Qaeda.
2) Eles queriam negociar, mas seu chefe, Mahmoud Abbas,mudou de ideia e deu ordens para emboscar os russos, e eles tiveram de obedecer.
3) Eles pegaram a carga mas um dos tiros perfurou o motor do caminhão para transporta-lo, agora eles estavam tentando conserta-lo no armazém/galpão 23. (por isso o rastro de óleo)
4)O chefe dos russos (Gennedy) estava vivo, mas ferido, com um tiro na perna. Eles o usariam como refém/moeda de troca/escudo de corpo, caso outros russos chegassem. (era dele o rastro de sangue,e como os terroristas o carregaram, o rastro sumiu)
5)Não sabia o que tinha no conteiner, só o chefe, mas achava que eram armas
6)Contando com o chefe, eles era cerca de 15 homens.

Depois disso, perguntei para Israel qual seria o destino do sujeito: ele iria usa-lo como refém/moeda de troca/escudo de corpo como estavam fazendo com seu sobrinho ou mata-lo? A resposta dele foi surpreendente para mim, já que eu esperava a 1ª opção, por isso vou reproduzir na integra:

"Féla da puta me xinga e me cospe na cara, bate no meu irmão, xinga nossa mãe, você acha que vou deixar vivo? É cova prá ele!"


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Só faltei abraçar o pivete!Encarnou o lado gangster mesmo huehuehueue! Narrei a cena do "Soldado" e do Touro espancando o vigia até a morte, e depois perguntei o que ele iria fazer agora. Descrevi o armazém como bem vigiado com 4 vigias na frente e no fundo e outros se movimentando no interior do galpão para cuidar do caminhão e dois vigiando Gennedy, amarrado numa cadeira.  

E novamente ele me surpreendeu dizendo que agora iria negociar diretamente com os terroristas, chegando com o grupo (armas escondidas,claro) e chamando pelo chefe. Só depois eles notaram que um dos NPCs que estava acompanhando o grupo não estava mais lá!

O que aconteceu durante a conversa com o chefe dos terroristas? Onde foi parar o NPC? Como foi o desfecho dessa história toda, afinal? Esperem pela parte 2 e suas questões serão respondidas!