Novo personagem iconico de Pathfinder RPG: Meligaster, o mesmerista

Deixe um comentário
 A partir da fina costura de seu traje impecável até a alça de ouro de sua elegante bengala-espada, pouco sobre a aparência atual de Meligaster revela sua educação como um escravo comum. Nascido em cativeiro na casa de campo de um nobre menor, Lord Maskelyne, na nação de Cheliax, a infância de Meligaster colocou-o no papel de joguete de uma ninhada de filhos do aristocrático. Mesmo tendo sido, como seus próprios irmãos e irmãs, arrancados e forçados a servidão em propriedades nobres em todo Cheliax, Meligaster encontrou um novo lar como um irmão adotivo dos filhos do seu mestre, que o trataram como um boneco vivo. Enquanto a sua velha mãe trabalhava na lavanderia da mansão, Meligaster sentava-se nos jardins floridos com uma profusão de plantas exóticas e coloridas para o chá. Lá as crianças vestiam seu "boneco", como o chamavam, com trajes elegantes de seda e veludo, trazendo muito cedo à Meligaster uma apreciação da elegância da nobreza tão estranha para seus verdadeiros irmãos e irmãs, a quem ele começou a esquecer como o passar dos anos.

O jovem halfling logo descobriu que possuía um charme natural e sagacidade que engendrou uma afeição especial em seus "anfitriões" e até mesmo da geração mais velha de Maskelynes, que o adorava e ofereceu-lhe privilégios especiais. À noite, quando as crianças iam para a cama e Meligaster retornava para a "Sliphouse" - uma guarnição desorganizada para os servos halflings da família - ele deliciava seus companheiros de trabalho com as notícias dos acontecimentos na casa senhorial. Ele teceu contos vívidos de quartos enfeitados com finas pinturas emolduradas, de belos bronzes barrocos retratando os deuses do Velho Azlant e câmaras forradas com estantes segurando o conhecimento acumulado dos séculos. Na primeira vez que alguns escravos pediram para Meligaster pedir por um melhor tratamento dispensado pelos nobres da casa, novamente o halfling descobriu que seu charme, humor e carisma pessoal foram o suficiente para chegar até o público mais hostil e trazê-lo para o seu lado.

Apesar das boas roupas e refeições descentes, Meligaster permanecia um escravo. Ele foi proibido de deixar as terras da propriedade sozinho e na ocasião rara em que acompanhou os filhos do Lord para a cidade, ele fazia isso com uma corrente de fina prata em torno de seu pescoço. As crianças foram crescendo, as festas de chá evoluiram para luta livre e jogos rudes e a pequena estatura que tanto os encantou no passado tornou-se um fardo para Meligaster. Agora os adolescentes começaram a vê-lo como um velho, um brinquedo indesejada. Ele já não recebia mais um traje novo a cada quinzena. Já não era bem-vindo para saborear um suntuoso vinho na mesa do banquete. Para sua consternação, Meligaster começou a assumir uma aparência pobre e sua mudança de status sutil minara a sua alegria e bom humor, que por sua vez serviu para afastá-lo ainda mais de seus senhores.

Ao mesmo tempo, os assuntos políticos do Lord Maskelyne se complicaram influenciando a fortuna da família. As coisas na mansão tornaram-se muito mais difíceis não apenas para Meligaster, mas para todos os escravos e servos do Sliphouse. Como a fortuna ia decaindo, as atitudes em relação a ele cresciam igualmente mais escuras e menos caridosas. Meligaster, antigamente um amigo igualmente dos escravos e dos mestres, logo se viu sem aliados em um ambiente que crescentemente se tornava mais e mais perigoso conforme as fortunas de Maskelyne continuava a diminuir.

Em um dia particularmente aborrecido, enquanto estava sentado na cabeceira de sua mãe doente, Meligaster viu-se cercado por uma meia dúzia de halflings com semblantes carrancudos. Meligaster sabia apenas com um olhar que eles não tinham vindo para desejar melhoras à sua mãe. As crianças de Maskelyne, companheiros afastados de Meligaster, tinham, naquela manhã, queimado três problemáticos escravos sobre uma pira como um sacrifício a Mammon na esperança de que o demônio iria mudar a sorte da sua família. Os visitantes halfings claramente tinham a intenção de igualar o placar prejudicando Meligaster. Quando seus argumentos amigáveis ​​nada fizeram para conter as ameaças dos escravos, Meligaster olhou profundamente em seus olhos e canalizou todo o seu charme e magnetismo pessoal para que relance. Seus olhos marcantes sempre tinham conseguido deixá-lo longe de problemas no passado e com grande esforço, incentivado por desespero e medo pela vida de sua mãe, Meligaster ordenou que os intrusos voltassem aos campos e o deixassem sozinho. Para sua surpresa, os escravos rapidamente concordaram, mudando seu comportamento quase que imediatamente. Minutos depois ele ficou sozinho na câmara de sua mãe perguntando o que tinha acontecido.

Nas semanas que se seguiram, Meligaster continuou a explorar esse novo poder de persuasão. Quando ele não podia encontrar um co-escravo para experimentar, ele olhava nos olhos remelentos de sua mãe, a quem ele descobriu ser mais flexível aos seus comandos. Ao mesmo tempo, Meligaster roubava livros sobre técnicas de cura das bibliotecas de Maskelyne e experimentava com tratamentos de toque projetado para trazer a saúde de volta à sua mãe. Embora ele conseguisse alguns sucessos menores ao longo do tempo, ele podia ver sua mãe desaparecendo a cada dia. Logo ele voltou toda sua atenção experimental para os outros escravos halflings da propriedade de Maskelyne, que não eram páreo para seus poderes mentais.

Primeiro, ele usou seu fantástico olhar para vincular os halfings que o havia ameaçado anteriormente em seu serviço como protetores pessoais. Em suas visitas cada vez mais raras à mansão, ele cercou-se de um círculo de protetores resistentes. Quando isso atraiu a ira dos feitores que naturalmente esperavam que os defensores de Meligaster realizassem suas funções, Meligaster igualmente trouxe-os sob sua influência também. Logo ele tinha coagido a fidelidade psíquica de todos os escravos e feitores de Maskelyne, que começaram a tratá-lo melhor do que eles tratavam seus verdadeiros mestres.

Meligaster cansou da Sliphouse. Era hora de fazer a sua jogada na mansão. Para esse momento ele tinha desenvolvido seus poderes mentais para incluir a capacidade de lançar feitiços psíquicos, que ele usou com grande efeito. Primeiro, ele curvou seus antigos companheiros a sua vontade, depois o senhor e a senhora da casa. Meligaster passou a residir em uma câmara resplandecente dentro de casa, partilhando o quarto com sua mãe doente e forçando os nobres à servi-lo como ele e sua mãe lhes tinham servido. Manipulando Lord Maskelyne para lhe conceder generosos presentes da fortuna cada vez menor da família, Meligaster mais uma vez vestia-se de o glamour a que se acostumara. Ele ordenou que os artesãos mais famosos de Egorian lhe cortassem um belo traje branco, acentuando seu estilo com um medalhão contendo um emblema em marfim do único indivíduo, além de sua mãe, que ele realmente amava – ele mesmo.

Durante meses Meligaster viveu como o dono da casa. Quando seus “protegidos” - particularmente entre os Maskelynes – falharam como ele, ele respondeu com a crueldade reprimida de 20 anos, sujeitando-os aos mesmos açoites e torturas que eles tinham sofrido. Com o tempo ele se acostumou a ser obedecido, e seus castigos perversos estendidos aos seus companheiros halflings. O que uma vez tinha sido um senso de humor brincalhão metamorfoseou-se em uma crueldade cínica. Quando ele se cansou de disciplinar seus inferiores, ele manipulou suas mentes para torná-los os agentes de sua própria humilhação, e como ele cresceu mais confortável na cadeira do poder, Meligaster começou a desfrutar destas punições. Ele logo se tornou um capataz mais duro do que os Maskelynes nunca tinha sido, e enquanto todos os moradores da mansão diziam amá-lo e adorá-lo, não o faziam de livre e espontânea vontade.

Meligaster fez um grande esforço para esconder a sua fortuna dos outros nobres de fora de Egorian. Ele não recebia visitantes e fechou a propriedade para o mundo exterior. Ele foi acometido por uma surpresa, então, quando encontrou-se na companhia de um escravo halfling liberto chamado Lem, um bardo encantador que alegou ser um escravo fugido nascido da mesma mãe. Depois de décadas Meligaster olhou nos olhos de seu irmão perdido há muito tempo, e o que viu partiu seu coração. Lem representava um caminho para sair da sombria vida da escravidão. Seu irmão era tão charmoso e carismático como ele, mas mesmo que Meligaster vivesse como um senhor em sua mansão isolada, era Lem que parecia em paz consigo mesmo. Pior, Lem ficou horrorizado com a cena dos halflings de olhar vago e seres humanos que o saudaram na propriedade Maskelyne. Ele pediu que Meligaster abandonasse seu ardil e fugisse com ele para Absalão, mas Meligaster não queria nada disso. Na presença de sua mãe acamada, os dois irmãos discutiam sobre os laços de família. Meligaster convocou todo o seu poder psíquico e, olhando nos olhos de seu irmão, ele comandou o visitante a abandonar a propriedade Maskelyne e nunca mais voltar.

Na manhã seguinte, Meligaster aprendeu uma grande lição sobre os limites do seu poder. Ele acordou para encontrar Lem e foi como ele esperava, mas ele também descobriu que seu irmão tinha fugido com sua mãe doente e que ele tinha liberto todos os escravos halflings de seu controle de alguma forma usando sua música com infusão de magia para quebrar o domínio de Meligaster sobre eles. Irritado com meses de maus-tratos nas mãos de Meligaster, os escravos atearam fogo à mansão, atraindo um esquadrão de Hellknights e senhores vizinhos para investigar os reclusos Maskelynes. Meligaster foi forçado a fugir com pouco além de suas roupas e um saco cheio de alguns dos maiores tesouros de Maskelyne.

Daquele ano em diante, Meligaster saltou de cidade para cidade, assumindo empregos de curta duração como conselheiro espiritual de vários nobres, a quem ele furtando sua riqueza antes de passar para outro "patrocinador" em um reino distante. Agentes do Lord Maskelyne o perseguem, mantendo a halfling constantemente em movimento e desconfiado de em estabelecer fortes vínculos com qualquer um. Anos dependendo da manipulação mental para fazer seu caminho danificaram consideravelmente sua psique e enquanto uma parte dele lamenta as crueldades necessárias para manter seu estilo de vida que sente que merece, ele é relutante em dar um passo para trás e procura sempre a rota mais fácil à riqueza e aos confortos mais finos. Depois de deixar atrás de si um rastro de inimigos poderosos, Meligaster tardiamente virou-se para uma vida de aventuras, encontrando-se mais seguro para furtar dos túmulos de Lords mortos que as salas de estar e quartos de dormir dos vivos. Ele nunca mais viu Lem e espera dia, quando estiver pronto, aventurar-se em Absalão e mostrar ao seu irmão a loucura de subestimar aquele que tem o controle total sobre as mentes dos outros.

Erik Mona