Aprenda como funciona a politica com o RPG Poder & Decisão!

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Ei, sei que é meio estranho falar de politica aqui no Magia de Bolso, mas olha só que iniciativa massa do Professor de Direito Constitucional, Eduardo Faria, de Curitiba. Desenvolvido na Universidade Positivo, “Poder e Decisão” trata-se de um jogo de RPG que ensina como funcionam os três poderes, e simula debates e disputa pelo poder no Legislativo, Judiciário ou Executivo.

Esqueça os clichês tradicionais de outros jogos de RPG. Orcs ou feiticeiros não tem espaço em “Poder e Decisão”. Este é um RPG diferente. Há discursos no lugar de espadas e lobby no lugar da magia. O cenário pode ser qualquer um dos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. O ambiente, o de um regime democrático, totalitário ou autoritário.
O legislativo foi prioridade, nas simulações realizadas até agora. Isso porque o ano “propiciou”, com a ação de Eduardo Cunha na presidência da Câmara dos Deputados, e o trâmite de projetos polêmicos, como a reforma política e a redução da maioridade penal.
No executivo, uma experiência foi com o metrô em Curitiba. Os alunos se dividiram entre representantes da administração, grupos de influência, lobistas, terceiro setor. O desafio já não é conseguir maioria, e sim estabelecer um processo democrático, com estudos, audiências públicas, consultas populares.

Ok, interessante, mas como isso funciona exatamente? Você deve estar se perguntando.
Cada jogador assume um personagem. Uma turma de 15 pessoas, por exemplo, pode ser dividida em três grupos de cinco deputados federais cada uma. Um grupo é a bancada da oposição, outro da situação e o terceiro, neutro.
As regras são as mesmas do “mundo real”. Quer propor uma Emenda Constitucional? Precisa de um terço da casa assinando embaixo do projeto. Para aprovar, três quintos. Em primeiro e segundo turnos.
Além disso, cada um pode ter uma identidade secreta. O militar pode ser religioso, por exemplo. Ninguém sabe, mas ele representa os interesses de um grupo ligado a uma igreja. Uma ficha de jogo deve ser preenchida com as características dos personagens, com direito a nome do seu partido, um passado que pode ser nebuloso (ex-terrorista no tempo da Ditadura ou então era do DOI-CODI, etc) dentre outras inúmeras possibilidades.
O jogo traz ainda fichas de ação. São cartas inspiradas nos pecados capitais. Pode ser “exigir que um deputado da oposição me elogie”, carta de suborno para forçar um oposicionista a votar em seu projeto, entre outras.Sim, a corrupção faz parte do jogo mas cabe aos jogadores, no papel  “A ideia não é mostrar como a gente gostaria que fosse, mas como funciona na prática”, explica o professor Eduardo Faria, criador da iniciativa.
Eduardo Faria, professor de Direito Constitucional: jogo como ferramente de ensino. | Henry Milleo/Gazeta do Povo
 O Criador do jogo, as "cartas dos personagens" do jogo e as cobaias ao fundo


Caramba, que legal! Mas de onde surgiu essa ideia?  A ideia de um RPG dos três poderes surgiu durante as aulas para o primeiro ano de Direito, na Universidade Positivo. O jovem professor percebeu que não adiantava enfiar conceitos de Direito Constitucional goela abaixo dos calouros – com idades entre 17 e 19 anos, em média. Era preciso, primeiro, fazê-los entender a lógica do poder. O jogo contou com o apoio do setor de jogos digitais da Universidade Positivo, para sair do papel. Acostumados a planejar games, foram eles que deram forma à parte gráfica e deram sugestões para aproximar de um RPG clássico. O projeto está 90% pronto. A próxima etapa é a distribuição. A universidade ainda não definiu se irá disponibilizar para o grande público, fazer parcerias com órgãos governamentais ou de ensino, distribuir em caixa (como um jogo de tabuleiro), digitalmente, etc.
Mas o funcionamento do jogo está pronto. A ideia é que ele seja adaptável, e possa ser usado tanto em uma oficina de duas horas, quanto como formato de aula, ao longo de um semestre de aulas.
Meus comentários acerca da noticia: fico realmente entusiasmado de ver uma ideia tão boa vir de outro bacharel de Direito. Além de lançar um jogo novo num mercado que continua crescendo mesmo com a crise, ele traz o diferencial de ser um jogo educativo que permite que tanto leigos como nós, da área do Direito, possamos aprender como funciona, de fato, nosso sistema politico, o Direito Constitucional, o Administrativo, e outros assuntos correlacionados.
Pra mim pelo menos isso é bem interessante, pois nos tempos de hoje se tem muito debate, seja entre amigos intelectuais, seja entre inimigos e completos leigos no assunto, sobre politica e direito. E sinceramente, é tanta besteira sendo disparada dos dois lados sobre ambos que eu já tenho essa imagem guardada para ocasiões especiais:
Confesse, você pensa nisso quando alguém começa uma "verborréia"!

Para encerrar esse post torço muito pra que esse jogo dê certo. E também que mais boas ideias como essa surjam para aliar momentos de diversão e instrução!