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Viajando: como lidar com os valores Altos/Baixos dos atributos?-Parte 1

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*AVISO: Antes de começar o texto vou explicar para aqueles que ainda estão aprendendo a jogar RPG o que são atributos e para que servem. Aqueles que já estão familiarizados podem pular pro 3º paragrafo que ali já começo a discussão de fato.


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Atributos, dentre outros nomes similares, representam as características físicas e mentais dos seus personagens. Geralmente medidos por números, ajudam a indicar quão inteligente, forte ou ágil o seu personagem. E como você deve imaginar, quanto maior o numero, mais inteligente, forte, ágil, carismático, sábio, enfim mais miserávi! o seu personagem é, pois na hora de rolar os dados para executar uma ação, os altos valores ajudam a obter um resultado favorável. E em casos em que a diferença entre os  atributos entre o personagem e o NPC inimigo é brutal, alguns sistemas e mestres de jogo permitem que você nem role os dados para testar. Você simplesmente consegue o que quer!

O sistema de regras normalmente define como o jogador pode pontuar seus personagens sendo o normal dois sistemas: um valor pré-definido (Ex.: você tem 80 pontos para distribuir em 6 atributos em seu personagem. Coloque entre os 6 atributos, uma quantidade de pontos que somado dê 80), ou a rolagem aleatória de dados (Ex.: role 4 dados de 6 faces e despreze o dado com o menor número. Esse será seu valor no atributo X). Ambas vão ser mensuradas, claro, a depender do nível de jogo que o Mestre e os jogadores querem. Se o cenário é fantástico como um anime cheio de criaturas e inimigos fortes, os personagens vão ter que ser proporcionalmente mais fortes. E vice-versa. 

Muitas vezes, quando rolamos os atributos para um novo personagem, dificilmente chegamos aos valores otimizados para o que temos em mente. Mas, a grande graça do RPG, principalmente nos jogos com filosofia Old School, está em lidar com essas restrições e se divertir com um personagem que, se não é um super herói capaz de feitos prodigiosos, é capaz de escapar das mais diversas situações com garra, determinação e um pouco de inteligência.
O que estou sugerindo neste post, é uma reflexão dos jogadores e do mestre quanto à real aderência de um personagem na mesa com os valores estampados na ficha do mesmo. Ou seja, será que estou interpretando de maneira adequada esse ladrão com INT 8 ou este mago de CON 18??

Recentemente passei por isso em uma mesa de Old Dragon que estou jogando. Criei um Guerreiro (esse negocio de homem de "Homem de Armas" do sistema me incomoda.Pra mim, é guerreiro e pronto) que tinha um valor de INT 8. Até aí sem problemas. Mecanicamente não era necessário para meu personagem um valor alto em inteligência.Porém, depois de algumas sessões, acabei percebendo algo que me incomodou. Durante as sessões, meu homem de armas tinha mais ou menos assumido um papel de líder, e acabava tendo algumas idéias e estratégias que não combinavam com aquele valor 8 em INT.

Incomodado com isso, propus ao mestre que eu fizessemos um “rearranjo” nos atributos do personagem, para que eu pudesse subir aquele valor de INT. Em comum acordo com os outros jogadores, deixei meu personagem com um valor 10 em INT, ao custo de -2 em CAR .
Será que esta foi a melhor solução para a situação apresentada? Não sei. Mas no contexto de nossa mesa, essa alteração não mudou praticamente nada em relação às mecânicas do jogo. Mas em relação à interpretação, me deixou mais confortável com a personalidade do homem de armas com o qual estava jogando. Não me parecia mais tão incongruente alguém com INT 10 “liderando” o grupo e bolando estratégias.
Se por algum motivo, o mestre ou algum dos outros jogadores não concordassem com esta abordagem do problema, talvez eu tivesse que me “conformar” e me esforçar para interpretar o personagem de maneira condizente com os valores na ficha. E isso não é uma coisa ruim. Afinal de contas, o principal em uma sessão de RPG, a outra regra de ouro que existe, é que as pessoas se divirtam jogando. E apesar dessa questão eu estava me divertindo.
Essa “otimização” dos valores de atributos de seus personagens pode ser adotada em suas mesas, dependendo da motivação, como na situação que expliquei anteriormente. Evite querer trocar os valores dos atributos pensando em vantagens mecânicas, como por exemplo aumentar sua FOR para garantir um bônus maior no ataque e no dano. O ponto aqui é buscar uma melhor interpretação do seu personagem, garantindo uma melhor experiência de jogo.
Como sugestão, explique para o mestre e os demais jogadores da mesa o porquê de querer adaptar os atributos de seu personagem. Caso todos concordem com a alteração, a maneira mais simples é trocar os valores de atributo, na proporção de um para um. Talvez o mestre peça alguma interpretação dentro do jogo para justificar aquela alteração. No meu caso,nós tínhamos acabado de fugir de uma fortaleza hobgoblin que tínhamos ido espionar, o qual descobrimos informações cruciais sobre os ataques que eles iriam fazer na região, mas graça a um vacilo meu, fomos descobertos e levamos um cacete brutal. Então acabei ficando com cicatrizes pelo corpo, perdendo assim um pouco do meu carisma (beleza física também conta no carisma), mas prometi a mim mesmo ser mais esperto, explicando assim meu ganho em inteligência!

Ou seja, mais do que inteligencia, eu ganhei uma oportunidade de interpretação e desenvolvimento do meu personagem (o que me rendeu elogios e uns pontos de XP extras!).

*E talvez com isso, dependendo da imaginação do mestre, atitudes como essa pode acabar gerando novas oportunidades de ganchos para aventuras.
De qualquer forma, “otimizar” uma ficha para deixar um personagem mais interessante para ser interpretado não pode ser considerado prejudicial para suas mesas. Evite usar esse tipo de artifício buscando um personagem “combado” que vai ter mais vantagens mecânicas em relação aos outros. Lembrem-se: o principal objetivo quando nos sentamos em uma mesa de RPG, física ou virtual, é se divertir junto ao seu grupo!