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Motivos pelo qual eu adotei o "Old School" (majoritariamente)

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Fala galera, estou de volta com mais um post e desta vez eu apresentarei algumas razões que me fizeram deixar de lado os jogos mais atuais, mais robustos e com uma pegada mais épica, por RPGs com uma atmosfera mais heroica e um conjunto de regras dotadas de um espírito da velha guarda (old school). Não que eu tenha abandonado de vez o novo D&D, ou despreze o 13th Age e afins (esse por sinal, não parei ainda para ler), mas depois que conheci jogos como Old Dragon, o Sword and Wizardry, dentre outros, me senti muito mais a vontade para joga-los.

1- Jogos mais Desafiadores

O primeiro ponto que mais me chamou a atenção em jogos old school foi o nível de desafio que é inerente ao conceito do jogo. Sempre me incomodei com o efeito super-herói, por vezes quando jogava D&D 3.5 ed. ou D&D 4ed. os personagens mais pareciam saídos das páginas de uma HQ/Mangá, algo que me frustrava bastante.

Em minha opinião, não havia aquilo os ingredientes que tornavam a viagem por um mundo medieval fantástico realmente excitante e perigoso, pois bastava alguns níveis o perigo, o medo, a cautela e a coragem davam lugar a bravura insana de heróis de que pareciam mais saídos de um Anime como Magi ou Seven Deadly Sins do que as paginas de J.R.R Tolkien ou de Robert E. Howard*. Simplesmente o grupo transforma o antes assustador golem de carne em uma pilha de carne morta, como se fosse um zumbi qualquer, graças ao complexo sistema de builds, presente nesses jogos e assim os chamados "combeiros" se espalham nas mesas como carniçais nos cemitérios.

*O criador de Conan, caso você não saiba

Se você se diverte jogando assim, beleza, mas eu não curto nem um pouco, principalmente quando estou mestrando, já que isso cai na corrida armamentista de Mestre X Jogador. Ah, vou discutir isso num próximo post.

Voltando ao assunto, como você tem menos opções de poderes, habilidades e outros tipos de vantagens, assim como não existe a preocupação nesse tipo de jogo em ter encontros equilibrados, o jogador entende que seu personagem pode ser um herói mas não um super herói, e assim a sensação de mortalidade do mesmo não só tranca o "endereço de cagar" do personagem, mas também faz com que a cautela ao adentrar uma nova sala da masmorra, a astúcia em negociar com um monstro inteligente ou resolver o enigma ou até mesmo aquela regra do "recuo estratégico" (vulgo fuga), voltam a entrar em cena.
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Agora mesmo é uma excelente hora para o recuo!


2- Simplicidade e Improvisação de Regras

Com todos os poderes que os personagens podem ter, sempre vem junto com eles uma carga grande de regras que possam sustentá-la e sempre tive dificuldade com todas essas regras, que sempre me impediam de fazer algo que gosto muito, que é improvisar no jogo. A verdade é que regras muito robustas me travam, principalmente hoje na fase "jovem adulta" da vida. Como os personagens são mais simples em quesito de regras e poderes, sou mais livre para lidar com eles, assim como meus jogadores também o são na hora de bolar ações dentro do universo que ocorre o jogo.




3- Menos Tempo de Preparação do Jogo

As regras mais simples permitem algo que venho valorizando cada vez mais, o menor tempo de preparação possível. Quando começo a ler um jogo e percebo que ele requererá muito tempo eu o deixo de lado. Já me conscientizei que nas atuais circunstâncias não poderei dar a atenção que ele precisa para me divertir. Nas minhas campanhas, há dias que apenas penso na história e todo o resto flui pelo simples fato de que as regras não criam dificuldades, apenas o necessário em minha opinião para que uma boa narrativa seja desenvolvida

4- Fácil de Adaptar

Jogos com uma pegada mais Old School também me permitiram fazer com bastante facilidade algo estimado por todo mestre de RPG: adaptar coisas dos mais variados lugares aos seus mundos de campanha. Se eu quiser adaptar regras de S&W para Old Dragon e vice-versa, será muito mais fácil do que eu pegar D&D 3.5 para D&D 4ª ed. ou pior, 5ª ed. por exemplo, porque os primeiros são bem mais simples! 

5- Material Gratuito de sobra na Web

Se um dia eu resolver nunca mais comprar material de RPG, mas continuar jogando, eu poderei sem dificuldades já que parte dos jogos old school podem ser encontrados de maneira gratuita na internet. Além disso, com este tipo de jogo, fico de fora das ondas de consumismo que às vezes atacam os bolsos dos jogadores de RPG, "forçando-os" a comprar suplementos e jogos que nunca jogarão na vida.  Se você foi mestre durante a época da febre de Vampiro/Lobisomem ou da edição 3.5 de D&D, sabe do que estou falando!

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Tudo isso são livros de suplemento de D&D,que na época custava em torno de R$60 a R$90. E não, não são meus!

Quantas vezes você já comprou um suplemento para seu jogo? E quantas vezes eles lhe foram realmente imprescindíveis ou  úteis? O suficiente para que tenha valido o preço dele? 

Se a resposta foi positiva para todas elas, você é um abençoado. Já eu não tive tanta sorte... -_-

6- Se assemelha muito ao modo como aprendi a jogar

Aprendi a jogar RPG junto com Raphael, criador do Mega Hero, no final dos anos 90, por meio de uns amigos que queriam jogar no universo de Harry Potter. Só que não tinha nenhum material oficial por aqui - e acho que não existe até hoje- mas um deles, o João, tinha um monte de revistas da Dragão Brasil e uma serviu como base para desenvolver o jogo. Mas, claro, não era completo,e a gente tinha que improvisar para carai pro jogo fluir.

Logo, muita improvisação de regra, desafios pouco balanceados (dependia muito do humor de quem estava mestrando),nenhuma preparação de jogo, adaptando magias do AD&D para fazer as aulas da escola servirem para alguma coisa (porque, convenhamos, Potterheads, o arsenal de feitiços deles é uma piada perto do que já foi publicado até hoje no D&D). Ou seja, tudo que me serviu como base para aprender a jogar esse hobby, é a base também dos jogos atuais, já que muitos deles se baseiam no antigo D&D/AD&D publicado por aqui. Isso me trás uma enorme sensação de conforto e nostalgia ao folhear- melhor dizendo, rolar a barra para baixo- desses livros e uma oportunidade de voltar a jogar desse jeito.

Por essas e outras razões que não dá para falar aqui -mentira, dá sim, só não que não quero ficar me alongando- resolvi dar mais atenção a esses jogos. Mas podem ficar tranquilos. Jogos atuais ainda terão espaço aqui no blog. Só que terão que dividir espaços com a Velha Guarda.
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E viva o jeito Old School de Jogar!