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Mapas e Dungeons para... Uma Capital !

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A bela Westcrown

Amo mapas e isso não é novidade. Mas realmente adorei este. Westcrown (City of the Twilight, lançado em Pathfinder Adventure Path #25: The Bastards of Erebus, 2009) foi originalmente lançado para Pathfinder em uma arte cartográfica belíssima de Jarde Blando e Rob Lazzaretti. Ele foi concebido para aventuras dentro do cenário, mas nada impede que a usemos para nossas próprias aventuras.

Uma informação oficial interessante que podemos usar é que a população estimada numa cidade como esta é de cerca de 115 mil habitantes (conforme informado na publicação). Sempre ficamos com um certo receio para estimar a quantidade de moradores em cenários de fantasia, mas aqui não há esse perigo e até mesmo podemos usar isto como comparativo para futuros mapas.

Cidades como essa, ainda mais em ambientes de fantasia, são naturalmente cosmopolitas, o que significa que teremos ali representantes de todas as raças do cenário e dos principais grupos e guildas em diferentes proporções. Coloque nessa cidade tudo o que você desejar para transformá-la numa miniatura de seu macrocenário.



Se quiser o mapa numa resolução maior, aqui está o link

A cidade em si possui todos os elementos que tanto me agradam – litoral, rios, muros e elevações - e ela é dividida em três grandes áreas - continental, península e ilha. A junção desses sete elementos nos ajudam a criar divisões naturais e artificiais que poderão ser uteis na concepção de uma identidade para a cidade. Além disso, os nomes para os bairros ou zonas, já determinados no mapa (como Setor da Moeda, ou Setor do Sangue, ou mesmo Setor do Tesouro) ajudam muito à já delimitarmos as zonas e suas características. Outra coisa muito boa no mapa é a divisão de cores delimitando as ditas zonas – vamos usar isso também!

Não se enganem em imaginar que desejo criar tudo de novo e reinventar a roda. O segredo é sermos práticos. Quando criamos cidades para nossas aventuras não podemos imaginar que teremos condição (ou mesmo que haja uma necessidade imediata) de criar tudo o que existe nela... até mesmo porque não usaremos todos esses dados. O importante é criarmos (ou pensarmos) em conceitos gerais para cada zona e nos preocuparmos em criar o que realmente for relevante conforme as quests que se desenrolarão naquele momento. O resto será desenvolvido com o andamento da campanha (se necessário).

O que vou sugerir aqui é simplesmente me baseando em elementos visuais e levando em consideração o nome do setor já existente no mapa... então não me odeiem se fugir totalmente do que as informações na publicação original. O que desejamos aqui é dar elementos para criar um coringa. Vamos começar? Vamos dividir essa cidade em duas área distintas – aquela ligada ao continente e a ilha.

Ilha: Normalmente nesses casos a área mais restrita e isolada será a mais abastada, então vamos pensar nossa ilha como sede administrativa. Com suas casas claramente mais amplas que no resto da cidade e ruas largas essa ilha é um oásis dentro da cidade. Muito bem protegida por muros altos e atenção especial da milícia da cidade, mesmo os rios são bloqueados. Ela possui 3 zonas bem delimitadas e distribuídas em 9 pequenas e próximas ilhas interligadas por muitas pontes.

Conforme no mapa os três grandes setores são Setor do Tesouro, Setor da Lâmina e Setor da Coroa – nomes muito sugestivos. O Setor do Tesouro é o bairro dos comerciantes abastados da cidade com suas ricas e imponentes residências. O Setor da Lâmina bem poderia ser o mote da cidade – ricas lojas de armamentos vindos de todos os cantos, além da produção da cidade, ímpar em qualidade. Aqui tudo giraria em torna de sua produção e das muitas disputas regionais, fossem de luta, fossem de produção de armas. O Setor da Coroa é onde temos a cabeça pensante da cidade, quem sabe de todo a região ou reino. Prédio administrativos, alfandegários, escolas ou universidades, sedes de templos importantes dos principais deuses, sedes de empresas de navegação. Tudo estaria aqui.

A ilha é o ponto mais abastado da cidade. Tudo do bom e melhor está ali, assim como a melhor defesa. Só pode-se chegar, pelo menos de forma lícita, em barcos regulares e protegidos que saem das docas do continente ou em embarcações particulares das famílias. Mas quem iria querer deixar esses oásis? A circulação de pessoas residentes da ilha é quase que exclusivamente na própria ilha. Para completar a soberba dessa ilha, até mesmo uma pequena floresta particular eles possuem, ao sul, embora perigos possam rondar suas árvores e praias desprotegidas.

Continente: A parte mais antiga e pobre concentra mais da metade da população da cidade, embora seja a menor das três. Casas pequenas e com aspecto mais simples amontoadas em ruas estreitas de aspecto e antigo norteiam essas zonas onde o dia a dia lembra qualquer vila de cenários de fantasia, apenas que com muito mais gente. Poucas vias são calçadas e com melhor aspecto, sendo a que leva do portão oeste até a porção sul da cidade e ao ancoradouro à em melhor aspecto. Feiras com pequenas carroças e tendas aqui e ali, lojinhas simples e humildes em muitas ruas, tavernas ruidosas, criançada pela rua, muita circulação de pessoas de fora e rixas sendo resolvidas sem intervenção dos poucos milicianos, tudo isso pode ser visto pelos setores da parte continental da cidade.

A proteção da área externa é parca, visto que até mesmo a ala norte do muro está semidestruída. A população mais simples e pobre recebe poucos cuidados dos administradores da cidade, por isso mesmo que o nome dos setores mais ao norte são Altar do Desespero e Setor da Morte. O setor mais ao sul do continente, e divisa como a zona peninsular, é o Setor do Sangue – embora eles gostem de pensar que são também parte da península. Ele está limitado dos bairros mais ao norte, e perigosos, por um muro bem protegido e que demonstra um claro intento de não se misturarem. Mas isso não faz desse setor mais seguro, apenas com circulação mais controlada. Seu nome não é por acaso e o perigo ronda suas tavernas e ruas, mas a origem verdadeira é histórica e decorre de antigas invasões e chacinas. A vida aqui tem um padrão relativamente melhor e vive do comércio direto com as embarcações que diariamente aportam na cidade trazendo pessoas ou produtos. Armazéns, lojas e fabricas dividem espaço com casas de todos os tipos, mas em um padrão muito melhor do que as da porção mais ao norte.

Península: Os quatro setores da península são quase que uma continuidade do Setor do Sangue. Inclusive muitos dizem que depois daqueles muros há uma outra cidade, tal qual na ilha dos mais abastados Não há muros que separe a península da porção mais ao norte, apenas um estreito rio, embora a divisão seja evidente. Os quatro setores da península são o Altar da Esperança, Setor dos Escribas, Setor da Moeda e Setor dos Sacerdotes.

Tanto o setor dos Escribas quanto o da Moeda - bem no meio da península, próximos e pequenos - são muito específicos. No setor dos Escribas está a única universidade de todo reino. Tudo no pequeno setor com não mais do que duas ruas e algumas dúzias de construções gira em torno da universidade, imponente e fortemente murada. As lojas possuem tudo o que se possa pensar de todas as partes do reino para ajudar os estudantes, de pergaminhos e ingredientes mágicos. Mágicos sim, pois os principais cursos da universidade são sobre magia, embora possamos encontrar outras disciplinas como medicina, astronomia e afins. Já o setor da Moeda é o reduto dos investidores e banqueiros da cidade. Embora a maioria deles morem na ilha, no setor temos todos os escritórios, casa de negócios e bancos da cidade.

Ao norte e ao sul desses dois setores temos o mais populosos da península: o Altar da Esperança e o setor dos Sacerdotes. Embora tenham nomes pomposos ele são setores basicamente residenciais. O Altar da Esperança é um monumento erguido bem no meio do setor que leva seu nome em homenagem à suposta aparição de um deus, ou de seu avatar, gerações antes. As histórias dizem que ele surgiu para ajudar as milícias da então pequena vila que estavam acuadas na península. Segundo os relatos que passaram de pai para filho o deus lavou o chão com o sangue dos inimigos. Agora o Altar serve de local de romaria de fieis que vem de todo o canto pedir graças.

O setor dos Sacerdotes é igualmente residencial, mas com a peculiaridade de que em meio às muitas casas estarem os cinco grandes templos para os principais deuses do reino. O setor tem uma elevação em sua porção mais ao sul onde temos o Grande Templo, uma espécie de templo ecumênico e receptáculo de conhecimento dos deuses e druidas visitado por todo aquele que precise de respostas ou ensinamentos. Neste setor temos também dois grandes quartéis de milicianos sempre prontos para defender a porção sul.

Isso são apenas algumas dicas para a utilização desse mapa sem levar em conta o seu real uso. Lembrem-se: o que importa é a criatividade do rpgista e sua necessidade. Crie à vontade, mas sem exagero. Esteja pronto para improvisar e não tenha medo de errar.

Bons jogos!