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Meu adeus atrasado à Douglas Quinta Reis

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Como estive longe da internet durante um longo tempo demorei para me inteirar das novidades.  E  para minha surpresa vi muitos se lamentando pela perda de Douglas Quinta Reis, na madrugada do dia 13 de Outubro, Douglas Quinta Reis, vítima de um ataque cardíaco fulminante aos 63 anos.
Para aqueles que não o conheciam,como eu, Douglas foi, junto com Mauro Martinez dos Prazeres e Walder Mitsiharu Yano, um dos fundadores da Devir a 30 anos atrás, na cidade de São Paulo. A empresa que começou como uma importadora de quadrinhos e RPGs estrangeiros, logo tornou-se uma grande editora editora de quadrinhos e literatura de ficção.
Mais do que isso, graças a Douglas, a Devir se tornaria uma pioneira na publicação de RPGs no Brasil - e por muito tempo a maior editora do gênero em nosso país. E ela não ficaria apenas no Brasil, tendo sido expandida para Portugal, Espanha, e diversos países da América Latina - sempre levando o RPG com ela.
Claro, tenho minhas críticas à Devir pela forma como os RPGs vinham sendo tratados na editora nos últimos anos - ou das cagadas que eles fizeram no passado. Acho que praticamente todo rpgista brasileiro as têm. 

Mas tanto eu quantos esses outros geeks seriamos idiotas se deixássemos de reconhecer a importância que a editora possui para o hobby, e o bom trabalho realizado naqueles tempos difíceis dos anos 1990. Devemos todos muito a esse cara, que agora se foi. Sem ele talvez não tivéssemos o RPG no Brasil nos anos 1990. Não teríamos Magic: The Gathering, um jogo que por muitos anos me divertiu. E me diverte até hoje. Certamente o cenário de quadrinhos no país seria mais pobre, e muitos autores nacionais de renome teriam tido mais dificuldades em suas carreiras.
Além, disso, ele também ajudou a fundar a LVDVS CVLTVRALIS, que difundia o RPG e realizava projetos educacionais usando o RPG como ferramenta, ajudou na realização dos Simpósios de RPG e Educação, e encabeçou todos os Encontros Internacionais de RPG (EIRPG) que por muito tempo foram os maiores eventos do gênero no país.
Ele não foi importante apenas para nós, nesse pequeno hobby de nicho, foi importante para o que hoje chamamos de "cultura geek" em geral. Não à toa, seu falecimento foi noticiado em jornais e revistas de grande circulação.
Jaime Daniel Rodriguez Cancela, um também ilustre membro do cenário geek paulistano (e antigo companheiro na LVDVS CVLTVRALIS de Douglas), sugeriu que transformássemos o dia do aniversário de Douglas (24 de Fevereiro) no Dia do RPG Nacional. A proposta recebeu apoio de grande parte das editoras locais, e eu também acho adequado - nada melhor do que homenagear alguém que fez tanto pelo hobby por aqui.
Descanse em paz, Douglas. Sua missão foi cumprida com êxito. Agora cabe as novas gerações manterem as impressoras funcionando e os dados rolando...